Querido Eu,
Confesso que ao receber sua carta tomei um susto e tanto. Nunca esperei que você pudesse ser aquela a dar o primeiro passo, a correr atrás. Fiquei lisonjeada, pensei muito, e cheguei a uma conclusão. Apesar de sentir muita falta de casa, percebi que não estou pronta para voltar ainda. O mundo é lindo, e grande demais! A verdade é que quando se conhece tantos lugares e se vê tanta coisa como eu, alguns sentimentos e sensações que antes não tinham sentido passam a ser tão óbvios e compreensíveis que você se sente boba. Mas é verdade também que deixa-se de entender grande parte do conjunto misterioso denominado tudo.
Eu escrevi um poema, dormi por uma noite inteira, senti saudades do que pensei que não amava, e te ofereci o meu lugar todas as vezes em que você pediu, sem puxar o seu cabelo ou te encher de tapas, para ver quem falava mais alto e era forte o suficiente para sair.
Sei que estou diferente, e justamente pela vontade de explorar essa diferença é que não voltarei agora. Mas a gente pode se encontrar algum dia desses, e chamar aquele Outro Eu tão esquecido mas que nunca morreu.
Preciso te dizer, porém, que nem tudo é feito de rosas. Apesar de tudo o que aprendi, ainda choro algumas vezes de madrugada, ainda acho que preciso tomar sorvete quando fico triste, de vez em quando escuto músicas tristes e não deixei de pensar que talvez, só talvez, o mundo tenha solução.
E para cada Eu que encontrei na minha jornada, cada um em um lugar distinto, cada um com um alguém diferente, senti um aperto no peito de feridas (algumas abertas), que por vezes esqueci que existiam.
Ah! Eu também sei o que você está pensando agora. O que é que eu estou tanto a procurar, o que é que quero tanto descobrir, que me impede de voltar logo? Pois eu te digo: quero ir a um lugar nunca antes visitado, quero sentar no topo do mundo, de onde eu olhe todos e ninguém me olhe de volta. E eu vou achar esse topo, pode escrever o que falo. Nem que seja o nosso próprio topo, que nenhuma de nós (mesmo sendo tantas!) alcançam. É, esse mesmo. O que antes era tão baixo e acessível, mas foi crescendo por fruto dos nossos desencontros.
Só não se preocupe, que não hei de demorar tanto. Afinal, entre todas as minhas mentiras empoeiradas encontrei uma verdade absoluta. Meio enferrujada, e não brilha mais como costumava enquanto éramos crianças, mas continua sendo uma verdade: mesmo estando tão distante, não há quem diga que alguma vez saí do seu lado.
Até breve,
Eu Profundo
Confesso que ao receber sua carta tomei um susto e tanto. Nunca esperei que você pudesse ser aquela a dar o primeiro passo, a correr atrás. Fiquei lisonjeada, pensei muito, e cheguei a uma conclusão. Apesar de sentir muita falta de casa, percebi que não estou pronta para voltar ainda. O mundo é lindo, e grande demais! A verdade é que quando se conhece tantos lugares e se vê tanta coisa como eu, alguns sentimentos e sensações que antes não tinham sentido passam a ser tão óbvios e compreensíveis que você se sente boba. Mas é verdade também que deixa-se de entender grande parte do conjunto misterioso denominado tudo.
Eu escrevi um poema, dormi por uma noite inteira, senti saudades do que pensei que não amava, e te ofereci o meu lugar todas as vezes em que você pediu, sem puxar o seu cabelo ou te encher de tapas, para ver quem falava mais alto e era forte o suficiente para sair.
Sei que estou diferente, e justamente pela vontade de explorar essa diferença é que não voltarei agora. Mas a gente pode se encontrar algum dia desses, e chamar aquele Outro Eu tão esquecido mas que nunca morreu.
Preciso te dizer, porém, que nem tudo é feito de rosas. Apesar de tudo o que aprendi, ainda choro algumas vezes de madrugada, ainda acho que preciso tomar sorvete quando fico triste, de vez em quando escuto músicas tristes e não deixei de pensar que talvez, só talvez, o mundo tenha solução.
E para cada Eu que encontrei na minha jornada, cada um em um lugar distinto, cada um com um alguém diferente, senti um aperto no peito de feridas (algumas abertas), que por vezes esqueci que existiam.
Ah! Eu também sei o que você está pensando agora. O que é que eu estou tanto a procurar, o que é que quero tanto descobrir, que me impede de voltar logo? Pois eu te digo: quero ir a um lugar nunca antes visitado, quero sentar no topo do mundo, de onde eu olhe todos e ninguém me olhe de volta. E eu vou achar esse topo, pode escrever o que falo. Nem que seja o nosso próprio topo, que nenhuma de nós (mesmo sendo tantas!) alcançam. É, esse mesmo. O que antes era tão baixo e acessível, mas foi crescendo por fruto dos nossos desencontros.
Só não se preocupe, que não hei de demorar tanto. Afinal, entre todas as minhas mentiras empoeiradas encontrei uma verdade absoluta. Meio enferrujada, e não brilha mais como costumava enquanto éramos crianças, mas continua sendo uma verdade: mesmo estando tão distante, não há quem diga que alguma vez saí do seu lado.
Até breve,
Eu Profundo

2 comentários:
Aceita uma fã?
tão novinha e já cheia de personalidades...
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