A menina acordou bem de manhã. Trocou de roupa. Escutou música a caminho da aula. Jogou paciência enquanto seu professor explicava a matéria. Olhou para as pessoas. Voltou para casa. Almoçou algo que não se lembra bem. Dormiu a tarde inteira. Acordou à noite. Olhou para o teto. Tomou banho. Não tinha mais o que fazer e foi dormir de novo.
Lê-se:
A menina acordou um pouco antes do sol sair, e pensou que nem notaria se ele decidisse continuar escondido pelo resto do dia. Com esforço, tirou o pijama, apesar de não querer tirá-lo do corpo pelos próximos oito meses, ou oito anos. A caminho da aula, pôs os fones no ouvido e escutou o silêncio que vinha de dentro de si e de um iPod desligado. Enquanto seu professor falava algo que ela preferia ignorar, mexia as cartas do jogo em seu celular para lá e para cá sem pensar por mais do que um segundo. Seus olhos foram passando de pessoa em pessoa, enquanto imaginava o que cada uma delas estava pensando naquele momento. Voltou para o único lugar que a sufocava menos. Comeu alguma coisa sem prestar muita atenção no quê. Fechou seus olhos para tentar dormir, mas, sem sucesso, passou a tarde divagando no vazio que era não ver nada por vontade própria. Quando não conseguiu mais passear entre enganos e sorrisos do passado, resolveu acabar com a escuridão e abrir os olhos, mas o sol não estava mais lá. Ficou olhando para o nada e pedindo para que aquela sensação de falta passasse logo, ao mesmo tempo em que se perguntava, aterrorizada, o que sentir depois que o seu constante “incompleto” fosse embora. Foi para o chuveiro e deixou a água escorrer pelo seu corpo até o ralo esperando que todos os seus medos fossem junto com ela. Cogitou fazer alguma coisa, talvez rabiscar, ler, ou pensar em momentos felizes, mas quando nada do que pensava lhe parecia agradável, conformou-se em deitar encolhida na cama e apenas refletir sobre como é fantástico o fato de todas as pessoas enxergarem alguém e sua rotina nitidamente, mas mesmo assim não terem a menor idéia de qual é a realidade por trás dessas cascas do cotidiano. Até que finalmente adormeceu.
Lê-se:
A menina acordou um pouco antes do sol sair, e pensou que nem notaria se ele decidisse continuar escondido pelo resto do dia. Com esforço, tirou o pijama, apesar de não querer tirá-lo do corpo pelos próximos oito meses, ou oito anos. A caminho da aula, pôs os fones no ouvido e escutou o silêncio que vinha de dentro de si e de um iPod desligado. Enquanto seu professor falava algo que ela preferia ignorar, mexia as cartas do jogo em seu celular para lá e para cá sem pensar por mais do que um segundo. Seus olhos foram passando de pessoa em pessoa, enquanto imaginava o que cada uma delas estava pensando naquele momento. Voltou para o único lugar que a sufocava menos. Comeu alguma coisa sem prestar muita atenção no quê. Fechou seus olhos para tentar dormir, mas, sem sucesso, passou a tarde divagando no vazio que era não ver nada por vontade própria. Quando não conseguiu mais passear entre enganos e sorrisos do passado, resolveu acabar com a escuridão e abrir os olhos, mas o sol não estava mais lá. Ficou olhando para o nada e pedindo para que aquela sensação de falta passasse logo, ao mesmo tempo em que se perguntava, aterrorizada, o que sentir depois que o seu constante “incompleto” fosse embora. Foi para o chuveiro e deixou a água escorrer pelo seu corpo até o ralo esperando que todos os seus medos fossem junto com ela. Cogitou fazer alguma coisa, talvez rabiscar, ler, ou pensar em momentos felizes, mas quando nada do que pensava lhe parecia agradável, conformou-se em deitar encolhida na cama e apenas refletir sobre como é fantástico o fato de todas as pessoas enxergarem alguém e sua rotina nitidamente, mas mesmo assim não terem a menor idéia de qual é a realidade por trás dessas cascas do cotidiano. Até que finalmente adormeceu.
