Sei escrever sobre a vida, sei mudar de idéia, mas escrevo de amor. E não o sentimento em si, isso já fizeram os grandes nomes de outrora, que mapearam tal sofrimento até seu último suspiro. Escrevo do meu amor, esse que nem eu mesma compreendo. Uma sala escura, nada apelativa. Bem diferente do que ele, em sua elegância extenuada, procura em amores.
Ele deve preferir os raios quentes do sol. Um romance digno de cortes, vestidos luxuosos e clareiras no bosque. Sei porque seus olhos, mesmo distantes, não mentem. O amor que dedica à sua bela musa: as palavras com as quais a descreve são como pétalas de rosas ao mundo e adagas afiadas a mim.
Eu sempre os vejo dançando. Pés a flutuar pelo chão, o vento acarariciando seu claro vestido, flores de imensurável beleza a contrastar com o azul do céu. É tudo límpido onde estão. A pele dela, branca como uma folha de papel, e seu sorriso agradável, vão levando-o cada vez mais alto, com cada vez mais nuvens, onde não consigo chegar.
Então fico aqui, a alma pregada ao chão, o coração a sangrar no peito. O meu amor obscuro é uma incógnita, um jogo de paciência mas sobretudo, de apostas. E talvez ele prefira apenas uma poltrona confortável frente à um Renoir. Não peço para ficar. Somente o observo, angustiada, decidir.
Queria que se levantasse, mas ele lá permanece, imóvel. Vejo-me passeando em seus olhos sob todas as suas vigilâncias. Quero que me perceba sorrindo, cantarolando, atirando-me em outros braços. Eu sei o que faço? Até tento. Não possuo a juventude e leviandade de sua dama, minhas dores me envelhecem e levam-me à reflexões circulares.
Quero gritar com o mundo. Porém, continuo em silêncio. Há tanta tortura aqui dentro, tantas vozes me confundindo...
Não sou como uma de suas realezas, corro o risco de sempre perder para as bonequinhas de porcelana. Carrego comigo o fardo de uma poesia torta. Mas espero que um dia ele me tire para dançar.
Ele deve preferir os raios quentes do sol. Um romance digno de cortes, vestidos luxuosos e clareiras no bosque. Sei porque seus olhos, mesmo distantes, não mentem. O amor que dedica à sua bela musa: as palavras com as quais a descreve são como pétalas de rosas ao mundo e adagas afiadas a mim.
Eu sempre os vejo dançando. Pés a flutuar pelo chão, o vento acarariciando seu claro vestido, flores de imensurável beleza a contrastar com o azul do céu. É tudo límpido onde estão. A pele dela, branca como uma folha de papel, e seu sorriso agradável, vão levando-o cada vez mais alto, com cada vez mais nuvens, onde não consigo chegar.
Então fico aqui, a alma pregada ao chão, o coração a sangrar no peito. O meu amor obscuro é uma incógnita, um jogo de paciência mas sobretudo, de apostas. E talvez ele prefira apenas uma poltrona confortável frente à um Renoir. Não peço para ficar. Somente o observo, angustiada, decidir.
Queria que se levantasse, mas ele lá permanece, imóvel. Vejo-me passeando em seus olhos sob todas as suas vigilâncias. Quero que me perceba sorrindo, cantarolando, atirando-me em outros braços. Eu sei o que faço? Até tento. Não possuo a juventude e leviandade de sua dama, minhas dores me envelhecem e levam-me à reflexões circulares.
Quero gritar com o mundo. Porém, continuo em silêncio. Há tanta tortura aqui dentro, tantas vozes me confundindo...
Não sou como uma de suas realezas, corro o risco de sempre perder para as bonequinhas de porcelana. Carrego comigo o fardo de uma poesia torta. Mas espero que um dia ele me tire para dançar.

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