Era uma vez num sonho. Uma sala cheia de gente cheirando à hormônios e impaciência. Lá fora, o verde e o vento convidavam todos a uma visita ao sol...
Por entre exclamações e segredos, a Bela Adormecida tirava uma soneca em seu sono profundo: Bem-vindo à um mundo de discordâncias!
De olhos bem abertos, vossa alteza examinava o recinto: amarelo, amarelo, amarelo, azul. Ele estava lá, de branco, de preto, de roxo, de tudo. Menos amarelo. Ou azul.
As pessoas dançavam, pareciam se divertir. Elas não queriam sair de lá? Um castelo gótico, um tanto quanto sombrio, no alto da mais elevada montanha era, no mínimo, opressivo.
Deixou para lá. Não havia escapatória. E alguma vez já houve?
Ele se aproximou devagar. Sua elegância descabida era injusta ao resto do mundo e ao resto dos príncipes, tão singular...
Sentou-se ao lado da princesa entorpecida, disse-lhe um tímido "Olá". Sondou seus anéis de ouro, apetrechos, maquiagem. Era tão bonita... Como todas as outras?
Enquanto isso, lá fora, o verde e o vento convidavam todos a uma visita ao sol... Ela queria sair. Não tinha jeito.
Trocaram os dois algumas palavras, ela desviava o olhar com medo de que ele percebesse suas falhas que, apesar de muito bem escondidas, estavam constantemente à mostra.
Palavras para cá, palavras para lá, muitos, muitos e muitos sentidos. Ela brincava com ele e ele com ela, já era tarde demais, tudo corria bem.
Em um instante, porém, entre o bocejo de alguém e a luz vermelha que se disseminava por todo o local - resultado do brilho insistente do sol atravessando o vitral da rosácea - ele pôde ver de perto os olhos distantes daquela moça que escondiam um grande segredo. Como pode alguém querer ser Capitu e ainda assim acordar com um beijo?
Ela pediu aos céus que ele não se assustasse, que enxergasse direito - até ali ninguém realizara tal proeza. Distinguia-se das outras princesas porque não entregaria seu coração em uma bandeja de prata, fantasiava. Deu-lhe então uma caixinha de madeira que não se abria com chave nenhuma ou com força alguma, apenas com peças. Conseguiria ele desvendar um enigma?
Não havia muita esperança. Depois de aberta a caixa, exigia mares transpostos e dragões domados, ninguém chegou até aí também.
A valsa continuava e ao mesmo tempo em que as risadas ecoavam pelo cômodo, o verde e o vento, lá fora, convidavam todos a uma visita ao sol...
Bela Adormecida se levantou e se retirou. Deixou-o lá, inerte. E todos os amores não começam assim?
Saiu a princesa e já estava aprisionada, ele mal sabia. Resgatá-la de uma torre ou encontrar seu sapatinho agora eram atos de coragem nulos. Ela se preocupava em descobrir se o que vestia era rosa ou azul, mas foi dormir pensando nele - e ele nela, mas ninguém podia saber.
O restante das surpresas sempre fica para o amanhã. Os dois inundados em cochichos e cochilos, azuis, amarelos, vermelhos, brancos e rosas, enquanto - é claro - lá fora, o verde e o vento convidam todos a uma incrível visita ao sol.
Por entre exclamações e segredos, a Bela Adormecida tirava uma soneca em seu sono profundo: Bem-vindo à um mundo de discordâncias!
De olhos bem abertos, vossa alteza examinava o recinto: amarelo, amarelo, amarelo, azul. Ele estava lá, de branco, de preto, de roxo, de tudo. Menos amarelo. Ou azul.
As pessoas dançavam, pareciam se divertir. Elas não queriam sair de lá? Um castelo gótico, um tanto quanto sombrio, no alto da mais elevada montanha era, no mínimo, opressivo.
Deixou para lá. Não havia escapatória. E alguma vez já houve?
Ele se aproximou devagar. Sua elegância descabida era injusta ao resto do mundo e ao resto dos príncipes, tão singular...
Sentou-se ao lado da princesa entorpecida, disse-lhe um tímido "Olá". Sondou seus anéis de ouro, apetrechos, maquiagem. Era tão bonita... Como todas as outras?
Enquanto isso, lá fora, o verde e o vento convidavam todos a uma visita ao sol... Ela queria sair. Não tinha jeito.
Trocaram os dois algumas palavras, ela desviava o olhar com medo de que ele percebesse suas falhas que, apesar de muito bem escondidas, estavam constantemente à mostra.
Palavras para cá, palavras para lá, muitos, muitos e muitos sentidos. Ela brincava com ele e ele com ela, já era tarde demais, tudo corria bem.
Em um instante, porém, entre o bocejo de alguém e a luz vermelha que se disseminava por todo o local - resultado do brilho insistente do sol atravessando o vitral da rosácea - ele pôde ver de perto os olhos distantes daquela moça que escondiam um grande segredo. Como pode alguém querer ser Capitu e ainda assim acordar com um beijo?
Ela pediu aos céus que ele não se assustasse, que enxergasse direito - até ali ninguém realizara tal proeza. Distinguia-se das outras princesas porque não entregaria seu coração em uma bandeja de prata, fantasiava. Deu-lhe então uma caixinha de madeira que não se abria com chave nenhuma ou com força alguma, apenas com peças. Conseguiria ele desvendar um enigma?
Não havia muita esperança. Depois de aberta a caixa, exigia mares transpostos e dragões domados, ninguém chegou até aí também.
A valsa continuava e ao mesmo tempo em que as risadas ecoavam pelo cômodo, o verde e o vento, lá fora, convidavam todos a uma visita ao sol...
Bela Adormecida se levantou e se retirou. Deixou-o lá, inerte. E todos os amores não começam assim?
Saiu a princesa e já estava aprisionada, ele mal sabia. Resgatá-la de uma torre ou encontrar seu sapatinho agora eram atos de coragem nulos. Ela se preocupava em descobrir se o que vestia era rosa ou azul, mas foi dormir pensando nele - e ele nela, mas ninguém podia saber.
O restante das surpresas sempre fica para o amanhã. Os dois inundados em cochichos e cochilos, azuis, amarelos, vermelhos, brancos e rosas, enquanto - é claro - lá fora, o verde e o vento convidam todos a uma incrível visita ao sol.

Um comentário:
Boa noite 'Emena', gostaria de lhe parabenizar pela escrita impecável e profunda, e dizer que são textos que podem mudar o pensamento de uma pessoa, como mudou o meu. Você tem um talento e tanto! Deveria colocar seu nome e publicar em mais lugares. Iria ter muitos leitores. Parabéns!
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