Para ser sincera, eu não gosto muito de escrever para você.
Tudo o que eu falava dessas nossas aventuras soava leviano, parecia só mais um amontoado de letrinhas que todo mundo escreve.
Aí você disse que ia embora, e eu achei besteira te dizer adeus. Você nunca vai embora de mim.
Mas eu quis dizer alguma coisa... Então eu vou te contar a verdade.
"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida", disse Vinicius de Moraes. As palavras na página do livro levaram meus pensamentos imediatamente à você, essa pessoa que eu tanto encontro e desencontro.
Eu achei que não te amasse o tempo todo. Achei que te amasse dia-muito, dia-pouco, dia-quase, dia-sim-dia-não.
A tua presença às vezes me sufoca, sabe? Esse pesar no meu peito aperta, é uma responsabilidade e eu não sei a hora certa de se ter, por isso alguns dias acordo querendo respirar outros ares, sentir outros aromas. E tudo estaria bem se eu ao menos conseguisse. O teu ar me sufoca mas é o único que eu consigo respirar, quão decorada parece essa sentença?
Eu esperava por um desses contos encantados - em algumas tempestades ainda me pego esperando - que me fizesse conhecer o real sentido do que eles chamam de amor. Aquela mesma conversa de saber à primeira vista, do mundo chacoalhar, do céu perder o brilho para outros olhos.
Não foi isso que aconteceu comigo, não. As estrelas ainda estavam brilhando lá em cima, no breu do depois, eu só não consegui imaginar outra pessoa para ocupar o seu posto ali ao meu lado. Não acreditava naquela coisa de "química", até sentir seu corpo no meu. O seu toque, a sua calma, o seu olhar dizendo que continua lá, só comigo. Foi num segundo que o mundo sumiu, ainda não sei como você fez.
Eu consigo atravessar meus dias até que bem sem você. Quase feliz, eu arriscaria dizer. Mas aí você chega e o mundo sempre some, quão pronta parece essa frase?
Você me conhece à essa altura, sabe que não suportaria cair no óbvio. Então juntou as mãos com o destino e fez a vida rir de mim, da minha certeza egoísta. Fez com que ela parecesse um pouco sem sentido sem você por aqui.
Agora você já sabe quem eu sou. Eu, com todas as minhas convicções tortas e minhas dúvidas cruéis, todas as minhas falhas mascaradas. Sabe disso e ainda assim abre a porta e entra, volta no dia seguinte, acho difícil de entender. Eu já quis atirar tudo para o alto e sair correndo daqui, já dei motivos para você fazer o mesmo. Mas algo acontece e a gente fica.
Todas as pessoas vem e vão, esquecem de retornar, alimentam teorias, acham que conhecem o que é sentir, pensam que experimentam da vida o que ela tem de melhor e riem de quando você vira as costas para mim (ou o contrário). Algumas até decidem ficar por um tempo, mas o fato é que todas estão condenadas à ser nada mais do que breves. Eu não sei se esse é o tão falado amor - essa insuficiência do resto das pessoas, essa sensação de que tudo que não é você não basta - eu sei só da minha vontade de voltar para casa e te encontrar me esperando, de te contar o que aconteceu naquele caos que é sair de perto de você, ainda que só por algumas horas.
E o tempo? Ah, eu nem vou falar do tempo. Eu tinha medo do ponteiro do relógio e da velocidade que ele tem, afinal num segundo tudo muda. Você me ensinou a não tentar saber quantos minutos já se passaram, a não tentar calcular tão desesperadamente quantos ainda estão por vir.
E por falar em coisas para ensinar, foi com você que eu aprendi quem sou eu. É verdade que essa pessoa tem muito de você, por isso acho até comum que eu sinta receio em afirmar qualquer estabilidade sozinha. Mas a pessoa que eu quero ser tem muito de você também, sabia?
Não sei se eu sou o que você merece, mas quero ser o que você precisa. É difícil de entender, o meu mundo não cachoalha quando você chega - apesar de eu sempre abrir um sorriso - mas ele desmorona quando você sai.
E depois de todas essas idas e vindas, dessas nossas histórias que a gente construiu com o cuidado mais descuidado que eu já vi, eu posso afirmar que não senti por mais ninguém o que você faz acontecer dentro de mim quando você passa, pelo menos não até hoje.
Não gosto de escrever para você porque nunca sei direito o que dizer. Para as outras pessoas até consigo ensaiar uma palavra ou outra, mas com você eu converso no silêncio do olhar, no absoluto do íntimo.
Sei que sou uma montanha-russa de emoções mas agora também sei que eu te amo o tempo todo, sim. E posso amar dia-muito, dia-pouco, dia-quase, dia-sim, é verdade. Mas nunca dia-não.
O grande poeta disse que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Eu continuo vivendo e esbarrando em surpresas por aqui e por ali. E digo até que tudo bem se os nossos caminhos se desencontrarem, desde que eles nunca parem de encontrar seu caminho de volta.
Tudo o que eu falava dessas nossas aventuras soava leviano, parecia só mais um amontoado de letrinhas que todo mundo escreve.
Aí você disse que ia embora, e eu achei besteira te dizer adeus. Você nunca vai embora de mim.
Mas eu quis dizer alguma coisa... Então eu vou te contar a verdade.
"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida", disse Vinicius de Moraes. As palavras na página do livro levaram meus pensamentos imediatamente à você, essa pessoa que eu tanto encontro e desencontro.
Eu achei que não te amasse o tempo todo. Achei que te amasse dia-muito, dia-pouco, dia-quase, dia-sim-dia-não.
A tua presença às vezes me sufoca, sabe? Esse pesar no meu peito aperta, é uma responsabilidade e eu não sei a hora certa de se ter, por isso alguns dias acordo querendo respirar outros ares, sentir outros aromas. E tudo estaria bem se eu ao menos conseguisse. O teu ar me sufoca mas é o único que eu consigo respirar, quão decorada parece essa sentença?
Eu esperava por um desses contos encantados - em algumas tempestades ainda me pego esperando - que me fizesse conhecer o real sentido do que eles chamam de amor. Aquela mesma conversa de saber à primeira vista, do mundo chacoalhar, do céu perder o brilho para outros olhos.
Não foi isso que aconteceu comigo, não. As estrelas ainda estavam brilhando lá em cima, no breu do depois, eu só não consegui imaginar outra pessoa para ocupar o seu posto ali ao meu lado. Não acreditava naquela coisa de "química", até sentir seu corpo no meu. O seu toque, a sua calma, o seu olhar dizendo que continua lá, só comigo. Foi num segundo que o mundo sumiu, ainda não sei como você fez.
Eu consigo atravessar meus dias até que bem sem você. Quase feliz, eu arriscaria dizer. Mas aí você chega e o mundo sempre some, quão pronta parece essa frase?
Você me conhece à essa altura, sabe que não suportaria cair no óbvio. Então juntou as mãos com o destino e fez a vida rir de mim, da minha certeza egoísta. Fez com que ela parecesse um pouco sem sentido sem você por aqui.
Agora você já sabe quem eu sou. Eu, com todas as minhas convicções tortas e minhas dúvidas cruéis, todas as minhas falhas mascaradas. Sabe disso e ainda assim abre a porta e entra, volta no dia seguinte, acho difícil de entender. Eu já quis atirar tudo para o alto e sair correndo daqui, já dei motivos para você fazer o mesmo. Mas algo acontece e a gente fica.
Todas as pessoas vem e vão, esquecem de retornar, alimentam teorias, acham que conhecem o que é sentir, pensam que experimentam da vida o que ela tem de melhor e riem de quando você vira as costas para mim (ou o contrário). Algumas até decidem ficar por um tempo, mas o fato é que todas estão condenadas à ser nada mais do que breves. Eu não sei se esse é o tão falado amor - essa insuficiência do resto das pessoas, essa sensação de que tudo que não é você não basta - eu sei só da minha vontade de voltar para casa e te encontrar me esperando, de te contar o que aconteceu naquele caos que é sair de perto de você, ainda que só por algumas horas.
E o tempo? Ah, eu nem vou falar do tempo. Eu tinha medo do ponteiro do relógio e da velocidade que ele tem, afinal num segundo tudo muda. Você me ensinou a não tentar saber quantos minutos já se passaram, a não tentar calcular tão desesperadamente quantos ainda estão por vir.
E por falar em coisas para ensinar, foi com você que eu aprendi quem sou eu. É verdade que essa pessoa tem muito de você, por isso acho até comum que eu sinta receio em afirmar qualquer estabilidade sozinha. Mas a pessoa que eu quero ser tem muito de você também, sabia?
Não sei se eu sou o que você merece, mas quero ser o que você precisa. É difícil de entender, o meu mundo não cachoalha quando você chega - apesar de eu sempre abrir um sorriso - mas ele desmorona quando você sai.
E depois de todas essas idas e vindas, dessas nossas histórias que a gente construiu com o cuidado mais descuidado que eu já vi, eu posso afirmar que não senti por mais ninguém o que você faz acontecer dentro de mim quando você passa, pelo menos não até hoje.
Não gosto de escrever para você porque nunca sei direito o que dizer. Para as outras pessoas até consigo ensaiar uma palavra ou outra, mas com você eu converso no silêncio do olhar, no absoluto do íntimo.
Sei que sou uma montanha-russa de emoções mas agora também sei que eu te amo o tempo todo, sim. E posso amar dia-muito, dia-pouco, dia-quase, dia-sim, é verdade. Mas nunca dia-não.
O grande poeta disse que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Eu continuo vivendo e esbarrando em surpresas por aqui e por ali. E digo até que tudo bem se os nossos caminhos se desencontrarem, desde que eles nunca parem de encontrar seu caminho de volta.

Um comentário:
Pequena... eu chorei...
Não sei bem , apenas imagino, para quem seja. Mas pareceu que lia a minha história.
Você é perfeita. Talentosa, parece que tem as palavras na palma da mãe e brinca com elas como monta seus quebra-cabeças, no final tudo tem um sentido tão grande!
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