domingo, 1 de novembro de 2009

Desenlace

Querido Eu,
Se eu tivesse um diário, talvez hoje suas páginas estivessem preenchidas. Frenética e dolorosamente.
Mas é talvez, só talvez. Uma palavra que eu não gosto mais.
Eu não consigo filtrar essa existência em mim. E quem sabe seja por isso que me baste só... Quem sabe seja por isso que precise ir...
Voltei a escrever ao som de violinos, você sabe. Fecho os olhos e enxergo cores um pouquinho mais vivas, mas ainda não decidi se isso é bom ou ruim, achei que fosse uma apreciadora do silêncio...
Acabei de olhar para o relógio: quatro e vinte e um. Metade do que escrevo vem de um lugar que eu não conheço, a outra vem de sonhos que à essa hora se misturam com a realidade.
Todos estão dormindo... Silêncio, silêncio... Em mim, tanta coisa para rompê-lo. E o farei, um dia, quando voltar. Talvez, mas só talvez.
No próximo fim-de-semana vou esperar o sol sair, colocar meus óculos escuros e sentir o vento no meu rosto da janela de um carro sem destino. É claro que não se compara à mãos frias no meu cabelo, mas ainda assim...
Percebi que minhas frases andam terminando em reticências ultimamente. Acho que não quero ter de terminá-las sozinha, mas essa é somente uma hipótese, um talvez. Só mais um.
Coloquei-me a dançar nesses últimos dias e acabei tropeçando em mim mesma. Senti o chão gelado mas vi o céu. Nuvens e bolhas preguiçosas. Um dia vou escrever um livro sobre idas e vindas, escolhas e destino.
A folha me encarou e eu a encarei de volta como já fizera momentos antes. Olhos dizem tanto...
Então pensei muito no que dizer, se é que me entende. Não ia falar nada até descansar a mente, mas cá estou (quem mandou não ser mais uma dessas pessoas do resto?), pois amanhã não vou mais me lembrar das borboletas no estômago.
Não cabe mais ninguém em mim e mesmo assim as opiniões só aumentam. Será que estou ficando louca?
Depois de dormir vou acordar diferente, como todos os dias. E palavras antigas não terão o mesmo valor.
Vou aprender a mentir melhor e a me jogar menos. Mas tudo isso é apenas um gigantesco talvez. Essa palavra estranha que não gosto mais.
Vou embora. E você... Você eu não sei. Vá dormir e sonhar com dias mais fáceis. Com finais felizes ou ovelinhas. Sonhe com saber quando falar e quando parar, com rios correndo montanhas, planetas suspensos no vazio.
Sonhe branco, que é tudo de uma vez, ou preto, que não é nada. Seja o preto que absorve ou o branco que reflete... Seja o que quiser, quando quiser, quantas quiser.
E não pare de brincar com as palavras, como sempre brincou, mesmo quando eu for. Tentarei chamar aquela pequena para consertar seus últimos erros...
Sabe, é tudo um grande talvez, mas eu era sim ou não. E ser preciso em terras de imprecisão pode ser um jogo perigoso.
Deixo-te bem, eu sei. Para tentar ser de novo.
Saudade? Quem sabe...
Vejamos o lado positivo: agora não sou nunca e nem com certeza. Sou longe.


Até, talvez, breve.
Eu Profundo.

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