São novas descobertas todo dia. Descobertas essas que teimei em escrever para não esquecer depois. Mas o que a memória ama não fica eterno?
Quero dar um passo maior do que consigo, carregar nas costas o peso de um mundo que não aguento, deixar um pouco mais para depois. Mas depois...?
Nesses últimos dias ando pensando mais em mim mesma. Não descobri se o mundo é bonito ou não. Talvez eu de fato queira que o céu seja vermelho, aí quem sabe tudo ficaria diferente. Mas se ficasse...?
Quando era pequena, chegava à beira do rio e via as águas dançando muito rápido, como eram bonitas.
Logo quis ser água, ainda quero. Transparente, mas não vazia. Descer montanhas e passear pelo mundo.
Evaporar.
Chover depois.
Inundar tudo.
Desviar das pedras ou passar por cima delas...
E não pensar em crescer, não pensar em doer.
Agora não mais vejo o rio a um passo de distância mas frente aos olhos as pessoas passam como água. À algumas desejei calmaria, à outras tempestade, mas de uma forma ou de outra elas sempre passam. Dançantes...
Estou parada apenas a observar ou com a correnteza também vou? Se fico, seca. Se pulo, afogamento. Então...?
Descobri que silêncio às vezes me mata mas barulho demais me incomoda. Eu não faço sentido?
Sou contraditória e finalmente aprendi a reconhecer tal fato. Contraditória e, recentemente, cheia de dúvidas. Mas essas dúvidas não estiveram sempre aqui?
Ali, parada no leito do rio e olhando para baixo, fiquei encantada. Havia muita água mas eu podia ver o fundo, só não sabia se estava perto ou longe.
E logo quis ser água, quis ser água mais ainda. Para que vissem através de mim e mesmo assim não entendessem, não descobrissem quão longe é o fim (só descobre quem se decide, com ou sem medo, se molhar).
Exijo coerência de pessoas incoerentes e linearidade de uma vida que pode ser tudo, menos linear. Eu não faço sentido.
Sabe, talvez eu seja um pouco água. Um pouco água dos rios da contrariedade, um tanto quanto divertidos.
Água que no meio de frases desconexas procura algum significado. Que em novas e antigas descobertas vive um ciclo de transformação apenas para ser sempre a mesma, mas que ainda quer descobrir qual é sua profundidade.
Lá, perto do rio e sem mover um músculo, vi que é possível parecer raso mas ser profundo e o contrário também. Quanta complexidade em algo tão ordinariamente simples. Ou quanta simplicidade em algo tão ordinariamente complexo.
É, talvez eu seja um pouco água. Ou talvez eu seja um pouco água demais.
Quero dar um passo maior do que consigo, carregar nas costas o peso de um mundo que não aguento, deixar um pouco mais para depois. Mas depois...?
Nesses últimos dias ando pensando mais em mim mesma. Não descobri se o mundo é bonito ou não. Talvez eu de fato queira que o céu seja vermelho, aí quem sabe tudo ficaria diferente. Mas se ficasse...?
Quando era pequena, chegava à beira do rio e via as águas dançando muito rápido, como eram bonitas.
Logo quis ser água, ainda quero. Transparente, mas não vazia. Descer montanhas e passear pelo mundo.
Evaporar.
Chover depois.
Inundar tudo.
Desviar das pedras ou passar por cima delas...
E não pensar em crescer, não pensar em doer.
Agora não mais vejo o rio a um passo de distância mas frente aos olhos as pessoas passam como água. À algumas desejei calmaria, à outras tempestade, mas de uma forma ou de outra elas sempre passam. Dançantes...
Estou parada apenas a observar ou com a correnteza também vou? Se fico, seca. Se pulo, afogamento. Então...?
Descobri que silêncio às vezes me mata mas barulho demais me incomoda. Eu não faço sentido?
Sou contraditória e finalmente aprendi a reconhecer tal fato. Contraditória e, recentemente, cheia de dúvidas. Mas essas dúvidas não estiveram sempre aqui?
Ali, parada no leito do rio e olhando para baixo, fiquei encantada. Havia muita água mas eu podia ver o fundo, só não sabia se estava perto ou longe.
E logo quis ser água, quis ser água mais ainda. Para que vissem através de mim e mesmo assim não entendessem, não descobrissem quão longe é o fim (só descobre quem se decide, com ou sem medo, se molhar).
Exijo coerência de pessoas incoerentes e linearidade de uma vida que pode ser tudo, menos linear. Eu não faço sentido.
Sabe, talvez eu seja um pouco água. Um pouco água dos rios da contrariedade, um tanto quanto divertidos.
Água que no meio de frases desconexas procura algum significado. Que em novas e antigas descobertas vive um ciclo de transformação apenas para ser sempre a mesma, mas que ainda quer descobrir qual é sua profundidade.
Lá, perto do rio e sem mover um músculo, vi que é possível parecer raso mas ser profundo e o contrário também. Quanta complexidade em algo tão ordinariamente simples. Ou quanta simplicidade em algo tão ordinariamente complexo.
É, talvez eu seja um pouco água. Ou talvez eu seja um pouco água demais.

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