sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Ocorrido recente
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Relatos de um novo/antigo Eu
Quero dar um passo maior do que consigo, carregar nas costas o peso de um mundo que não aguento, deixar um pouco mais para depois. Mas depois...?
Nesses últimos dias ando pensando mais em mim mesma. Não descobri se o mundo é bonito ou não. Talvez eu de fato queira que o céu seja vermelho, aí quem sabe tudo ficaria diferente. Mas se ficasse...?
Quando era pequena, chegava à beira do rio e via as águas dançando muito rápido, como eram bonitas.
Logo quis ser água, ainda quero. Transparente, mas não vazia. Descer montanhas e passear pelo mundo.
Evaporar.
Chover depois.
Inundar tudo.
Desviar das pedras ou passar por cima delas...
E não pensar em crescer, não pensar em doer.
Agora não mais vejo o rio a um passo de distância mas frente aos olhos as pessoas passam como água. À algumas desejei calmaria, à outras tempestade, mas de uma forma ou de outra elas sempre passam. Dançantes...
Estou parada apenas a observar ou com a correnteza também vou? Se fico, seca. Se pulo, afogamento. Então...?
Descobri que silêncio às vezes me mata mas barulho demais me incomoda. Eu não faço sentido?
Sou contraditória e finalmente aprendi a reconhecer tal fato. Contraditória e, recentemente, cheia de dúvidas. Mas essas dúvidas não estiveram sempre aqui?
Ali, parada no leito do rio e olhando para baixo, fiquei encantada. Havia muita água mas eu podia ver o fundo, só não sabia se estava perto ou longe.
E logo quis ser água, quis ser água mais ainda. Para que vissem através de mim e mesmo assim não entendessem, não descobrissem quão longe é o fim (só descobre quem se decide, com ou sem medo, se molhar).
Exijo coerência de pessoas incoerentes e linearidade de uma vida que pode ser tudo, menos linear. Eu não faço sentido.
Sabe, talvez eu seja um pouco água. Um pouco água dos rios da contrariedade, um tanto quanto divertidos.
Água que no meio de frases desconexas procura algum significado. Que em novas e antigas descobertas vive um ciclo de transformação apenas para ser sempre a mesma, mas que ainda quer descobrir qual é sua profundidade.
Lá, perto do rio e sem mover um músculo, vi que é possível parecer raso mas ser profundo e o contrário também. Quanta complexidade em algo tão ordinariamente simples. Ou quanta simplicidade em algo tão ordinariamente complexo.
É, talvez eu seja um pouco água. Ou talvez eu seja um pouco água demais.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Antonímia de desenlace
Começou como uma sementinha de uma planta que um dia resultaria em uma linda flor. Mal sabia eu de seu veneno.
Eu, justo eu, que deveria estar acostumada com venenos à essa altura da vida. São doces e perfumados, em caixas bonitas e com um laço em cima para dar o toque final.
O coração acelera: um presente.
Fui regando com idéias, talvez cedo demais. Apesar de ter certeza de que a culpa não era só minha, assumi-a com coragem. Coragem essa que todo dia aprendo a ter. Recuso-me a ser como ele, que se poupa de tudo, sem saber que o medo absurdo de sofrer e o constante cuidado para que isso não aconteça podem se tornar um sofrimento por si só. Eram dias coloridos esses que eu enxergava.
Eu não pedi para sempre, eu não pedi nunca mais. Eu pedi hoje. E para hoje não há desculpas pois hoje não existem barreiras, hoje não é amanhã. Mas ainda assim...
Pobre de mim que, inocente, alimentei tal ilusão. De novo, não sozinha. Fala por si só a intertextualidade que as letras comprovam, então não foi tudo invenção.
Não quero pensar que foi maldade. Isso não se faz com ninguém, deixar tudo ir caminhando quando se sabe que, adiante, o objetivo é continuar no mesmo lugar. Mas preciso lembrar a mim mesma, constantemente, que além da coragem que preciso aprender a ter (que se faz necessária cada vez que se cruzam nossos olhos), preciso aprender também que só porque eu não teria coragem de fazer algo, não quer dizer que os outros não tenham.
Talvez eu tenha crescido um pouquinho mais. Um pouquinho mais rápido também.
Cresceu, cresceu comigo e saiu de baixo da terra. Foram embora as metáforas, e virou um brotinho de dor.
Nessa noite me permiti uma lágrima e só. Foram duas, evidentemente, já que as regras que devo seguir - até mesmo aquelas que eu imponho - são quebradas pela minha mente e corpo sempre. Mas foram duas e depois parei. Olhei para o céu escuro e repeti mil vezes “vai passar”, e vai, ainda que contra a minha vontade.
Ando escrevendo muito mais, isso devo admitir. Então o veneno do seu presente que me mata faz também com que eu respire de novo, suponho que deva agradecer.
Agora os dias passam cinzentos como antes. Sou obrigada a conviver com essa dor pequena que não chega a me sufocar mas me incomoda. Um brotinho de dor nas minhas terras inférteis...
Um brotinho de dor que não vou matar, vou deixar lá. Ou cresce ou morre sozinho.
Um brotinho de dor pelo qual eu deveria dizer obrigada. Então... obrigada?
Um brotinho de dor de presente, quão poético. Se o que procurava era poesia não tem como dizer que não me deu.
Um brotinho de dor venenoso que um dia devolvo como flor para ele colocar na estante. Mais uma, apenas. E só de pensar que quis ser tão mais...
