A verdade é que eu sempre fui um pouco assim, cometa. Não chegava a me incomodar, deixar um pedaço de um quase coração em cada canto por onde passasse. Eles diziam “Cuidado, menina. Se passar rápido demais não pega coração nenhum em troca”, ou alertavam “Não pega o seu de volta”, mas eu só sorria.
Pegar de volta... Que bobagem. Pegar de volta não dá.
Nem ao menos quero de volta. Dei um pedaço para cada um para não restar mais nada comigo.
A gente é o que é. Mas se o que é não está... O que sobra pra ser?
Sabe, essa coisa que bate no peito...
Eu sei que entreguei à ele, o coloquei em suas mãos. Entreguei sem medo, quase inteiro, ao menos, o que restou. E dali em diante o que tivesse de sofrer eu não mais saberia. Achei que já não funcionasse, despedaçado, espalhado. O que ele fez, não sei. Será que se regenera? Não é possível, nasceu outro no lugar. Não era para doer, mas só serviu para doer mais.
Eles chamam de amor, mas é o preço da passagem.
E então, cometa, astro de órbita excêntrica, viver por entre as estrelas custa caro demais?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Ponto brilhante envolto por nebulosidade
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Um comentário:
Lindo... Tocante!
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