segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Como vai você
Lá estava eu, feliz, sem tempo. Tanta coisa pra fazer...
E era bom, sabe? Não pensar.
- Mas assim que tivesse cinco minutos para respirar, sentia o arrepio. Preciso, preciso escrever...
- É, mas veja só se não é engraçado, meus pensamentos são pesados e os minutos tem asas.
Passou, pequena, passou. Escreva a verdade dessa vez.
Você se agarra à coisas que não flutuam, e espera não se afogar?
O sentimento morre, e é sempre triste.
- Morre nele. Não em mim.
- Não, não. Não fale dele. Faça como você sempre fez, fique em silêncio.
- Mas vou escrever a verdade! Não ligo para o depois.
- Ninguém entende o que você diz. Vai dizer o que?
Vai falar de como aquelas horas felizes, com aquelas pessoas novas, falando de coisas fáceis da vida eram, na verdade, rasas? E aquelas mesas do bar, aquela gente sorrindo, aquelas luzes que não te deixam ver... Era pra não ver, mesmo. Não ver que esteve lá.
As pessoas são planas, pequena. Planas. E você é um abismo.
- Ele não era plano.
- Ele não está mais aqui. Por isso você mergulha em outros passados, almoça com um, compromete-se ao outro. E pensa que em algum lugar enquanto estava com eles sabia o que queria ser, aonde queria chegar, mas agora não sabe.
Nada, nada. Nada no nada. E fica boiando em velhas histórias, em livros por tempos esquecidos, em dedicatórias nas páginas amarelas, em doces coloridos. Mas o mundo é cinza.
- Eu olho pra cima todos os dias, na rua. Aqueles prédios, aquele céu, e logo sou pequena.
Eu não quero ficar, mas não quero fugir. Sou um mistério que não consigo ler.
Cansei desse assunto, eu cansei de ser. Eles me fizeram esquecer quando o mundo me engoliu. Eu falava o tempo todo mas aquilo era silêncio.
E se ele voltasse, e se ainda sentisse? E se me salvasse?
- Você não quer ser salva. Você quer ser forte.
- Eu quero ser uma pessoa só. É isso que eu quero. Quero dormir antes das duas da manhã, quero falar o que penso. E respirar vida, como antes fazia, ter brilho nos olhos e alguém pra conversar. Quero perguntar "Como foi seu dia?", quero saber aonde é que ele está.
- Mas sabe de uma coisa? O mundo me engoliu.
E cá estou eu, sem tempo. Tanta coisa pra fazer...
E é bom, sabe? Não pensar.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Ponto brilhante envolto por nebulosidade
A verdade é que eu sempre fui um pouco assim, cometa. Não chegava a me incomodar, deixar um pedaço de um quase coração em cada canto por onde passasse. Eles diziam “Cuidado, menina. Se passar rápido demais não pega coração nenhum em troca”, ou alertavam “Não pega o seu de volta”, mas eu só sorria.
Pegar de volta... Que bobagem. Pegar de volta não dá.
Nem ao menos quero de volta. Dei um pedaço para cada um para não restar mais nada comigo.
A gente é o que é. Mas se o que é não está... O que sobra pra ser?
Sabe, essa coisa que bate no peito...
Eu sei que entreguei à ele, o coloquei em suas mãos. Entreguei sem medo, quase inteiro, ao menos, o que restou. E dali em diante o que tivesse de sofrer eu não mais saberia. Achei que já não funcionasse, despedaçado, espalhado. O que ele fez, não sei. Será que se regenera? Não é possível, nasceu outro no lugar. Não era para doer, mas só serviu para doer mais.
Eles chamam de amor, mas é o preço da passagem.
E então, cometa, astro de órbita excêntrica, viver por entre as estrelas custa caro demais?
Antes de chegar
Aquela mesma da véspera de Natal quando ainda somos pequenos, aquela ansiedade incontrolável, o desejo de ser bom, de dar tudo certo. Talvez tudo dê errado afinal, quem sabe... Mas esse frio na barriga, esses pulinhos que o coração dá a cada vez que alguém abre a porta...
Ah, se eu não morrer de amor, morro disso. De espera.
sábado, 4 de setembro de 2010
Passagem
Era tarde, mas as luzes estavam todas acesas. Vi milhares de pessoas e não vi ninguém.
Que vergonha, menina, que vergonha. Chorar assim de saudade? Saudade de onde? Saudade do quê?
Todo mundo estava lá, mas ninguém viu.
Foi um aperto no peito, e só.
domingo, 29 de agosto de 2010
Quase doce
As tuas palavras...
Eu digo para que não saibas.
E ainda assim diz saber, mas só diz.
Cresça, menino, cresça.
As tuas dores...
Teus rasos-profundos amores,
Não quero jogar sozinha, mas até aqui foi só o que fiz.
Cresça, menino, cresça e apareça.
As tuas dores-palavras...
As tuas palavras-dores...
São desenhos no chão, em cores.
Quase-poemas escritos em giz.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
De hoje.
Eu não esqueci de ti. Não.
Os corredores brancos gritam. "Azul", de vez em quando.
Eu sei que não vou te encontrar, mas meus olhos te procuram mesmo assim. Tamanha estupidez... Esperança?
Eu quis matar isso tudo dentro de mim, mas hoje não vou falar em morte. Morte é tarde demais, é cedo demais, é muito.
É hoje, eu sei. Não esqueci.
Eu queria te dar um abraço hoje. Queria ouvir alguma palavra tua.
Tenho mil desculpas. Algumas boas, até. Mas a verdade é que a qualquer momento do dia de hoje, de ontem, de sempre, eu podia ter pego o telefone, libertado a saudade, enterrado o orgulho (ou o que restou dele).
É difícil pôr fim nas coisas. E falo de fim pois é o que agora me aflige.
É preciso um sinal, uma certeza, uma luz?
É preto, breu.
Ali, bem no meio do caos. Eles choram e pensam no que poderiam ter feito, no que deveriam ter dito, no que deixaram de viver, e o fim é o fim e só.
Mas eu não esqueci de ti. Ontem, hoje, agora.
O tempo me encanta, meu bem, me encanta. Tão eterno e, à nós, breve. A magia da contradição.
O tempo é curto, meu bem, tão curto. E passa...
Mas eu não esqueci de ti, por enquanto. Isso não melhora nada em nada, eu sei. Mas ainda assim, queria que soubesses...
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Breve comentário sobre os últimos dias
Comprei um casaco novo. Notei que sinto sua falta, mas isso você já sabe. Tropecei no degrau da escada.
Não fui a uma festa. Fiz planos. Cortei o cabelo.
Pensei em admitir que você ainda mora no meu pensamento. Voltei atrás. Sou um capítulo terminado da sua história. Não sei com qual ponto terminar a última frase.
Fiquei gripada. Tive febre. Terminei de ler um livro ótimo. Quis te contar...
Machuquei alguém. Ouvi que era necessário.
Perdi uma corrente. Esqueci meu celular num banco. Cantei baixinho no metrô.
Ninguém me cativa por inteiro. Ninguém me lê. Mudei, mas sou a mesma. É fácil dizer, são tantas de mim...
Tive um sonho bom. Recebi muitos elogios. Senti minhas asas cortadas levando-me até o chão.
E esse é só começo.
terça-feira, 16 de março de 2010
Desespero
Então sentei para escrever e é dor.
Hoje vou escrever grande.
A música diz, repetidamente, é mais fácil mentir, e é. Talvez hoje eu não faça sentido, ou comece a fazer algum. Mas prometi que diria a verdade, ainda que apenas para mim mesma. Mas vou dizer devagar,
Sentei para escrever e é dor. Dor.
Hoje eu vou falar baixo.
Nunca estive nesse lugar. Pessoas ao me redor mergulharam em erros antes mesmo do que eu, erros mais fáceis. Respiram agora, na superfície, enquanto eu sinto...
Hoje eu quero chorar.
De dor, de dor.
De repente me bateu uma vontade imensa. Faz um tempo desde a última vez que aconteceu, eu tinha quase esquecido dessa sensação. Chorar... chorar, e só. Engraçado isso. Toda vez que vejo pessoas chorando passa em minha mente o mesmo pensamento, "se adiantasse alguma coisa...", porém, por mais que se tenha consciência de que lágrimas não mudam absolutamente nada do que já aconteceu, por que ainda assim há essa necessidade gigante de deixar escorrer o sofrimento pela face e pela alma?
Sentei para escrever e é dor. Só dor.
Hoje eu vou contar uma história.
Sabe quando você se perde? Se perde, e só. Era uma vez uma menina que se perdeu de verdade; Tão, tão perdida que parecia de mentira.
"Eu não sei quem sou", ah, que novidade. Os velhos discursos cansam cedo ou tarde. Mas antes que seja tarde...
Hoje eu vou sair daqui, de mim.
Vou morar em outro lugar, sem dor.
Aqui dentro só tem silêncio. Prometi não ouvir mais essas músicas e nem escrever de mim mesma, mas essa sou eu reclamando letrinhas.
Sentei para escrever e é dor. Dor e só.
Hoje eu vou...
Por quê é que a gente erra? Corro o risco de ser errada ou vazia. Aposto no vazio, quero muito apostar no vazio.
Hoje vou tentar me preencher de alguma coisa.
Alguma coisa que não seja dor.
Textos, eu decidi. Fiquei um tempo longe das folhas brancas sem linhas e veja só o que aconteceu.
Preciso de alguém que me diga alguma coisa, mas não sei se quero ouvir.
Hoje eu me sinto diferente. Como se fosse outra pessoa.
Sentei para escrever e é dor. Estou só.
Dor em seu estado bruto, talvez só um pouquinho lapidada.
E vivo alternando entre acreditar ou fingir que foi um sonho, vou chamar de desespero.
Hoje eu prometi mudar, continuar a mesma, trocar de lugar, permanecer aqui. Pensei em não sofrer pelo que passou, pensei em mudar o que passar.
Mas acontece que hoje eu sentei para escrever e é dor. Dor.
Dor de dor, de dor. Só dor, sem dor.
Dor e só. Ou algo que não seja dor...
Estou só. Estou só. Estou só.
