Você não chorou essa semana. Não derramou nenhuma gota d'água dos olhos mas também não sorriu nenhuma vez. Você nunca foi assim, uma pessoa que acorda de manhã, abre as janelas e sente a alegria tomar conta de seu corpo quase como se pudesse vê-la, como se fosse tão óbvia quanto os raios de sol.
Você não deixa a luz entrar, eu sei. E quando abre a janela é só para deixar o vento e o frio tomarem conta do quarto e eventualmente de você. Porque se chegar a ser tão fria como uma mesa, os quadros, ou até uma cadeira, talvez consiga acreditar que pertence a algum lugar, um quarto de um alguém que se esconde nos travesseiros quando o dia não dá certo. Mas tal situação resultaria em uma certa intimidade, e é por isso que você deseja ser parte da decoração: para sentir coisas que apenas mesas, quadros e cadeiras sentem.
Mas tudo isso é inútil. Todo o frio que entra não é suficiente para assassinar o calor que a dor emite. Então você tenta de novo e de novo, sem se conformar com a humanidade desajeitada que mora em algum lugar aí dentro.
Você não gritou nesses últimos dias. Falou poucas palavras em baixo tom de voz, querendo dizer que a escassez do ânimo para conversar era a mesma escassez da vontade de sair na cama.
Aí você continuou fingindo, presa no meio de todos esses seus casulos, feito uma lagarta escondida que se sente desajustada demais para permanecer no mundo.
Você tem cólicas de desejo, eu sei. Que são um misto louco de toda a raiva, a dor, as surpresas, a repetição. E você sente espinhos em uma quantidade tão imensa que as flores não compensam.
Enquanto isso, eu continuo querendo te levar para passear num dia claro e te afogar em um conto-de-fadas (mesmo que estes não passem de mentiras feitas para amenizar o desespero). Eu compro presentes, te dou chocolate, mas parece que nada do que eu faço adianta. É como se não bastasse dizer que vai passar, dessa forma tão ordinária e tão fácil. Como se nenhuma das descargas elétricas de vivacidade pudesse fazer bater de novo um coração mortalmente ferido.
Nesse caso, decidi que vou te deixar assim mesmo, raptada pela força desses desencontros e cega de melancolia, no sono profundo da perda da razão e do controle.
Só não pense você que eu desisti, porque isso é mentira. A verdade é que eu sei que em algum momento você vai olhar só para as flores e esquecer os espinhos, vai destruir seu casulo, afinal, um dia toda lagarta vira borboleta.
Nesse dia, eu vou rir de contentamento enquanto observo você abrir os olhos, e depois abrir as asas.
Você não deixa a luz entrar, eu sei. E quando abre a janela é só para deixar o vento e o frio tomarem conta do quarto e eventualmente de você. Porque se chegar a ser tão fria como uma mesa, os quadros, ou até uma cadeira, talvez consiga acreditar que pertence a algum lugar, um quarto de um alguém que se esconde nos travesseiros quando o dia não dá certo. Mas tal situação resultaria em uma certa intimidade, e é por isso que você deseja ser parte da decoração: para sentir coisas que apenas mesas, quadros e cadeiras sentem.
Mas tudo isso é inútil. Todo o frio que entra não é suficiente para assassinar o calor que a dor emite. Então você tenta de novo e de novo, sem se conformar com a humanidade desajeitada que mora em algum lugar aí dentro.
Você não gritou nesses últimos dias. Falou poucas palavras em baixo tom de voz, querendo dizer que a escassez do ânimo para conversar era a mesma escassez da vontade de sair na cama.
Aí você continuou fingindo, presa no meio de todos esses seus casulos, feito uma lagarta escondida que se sente desajustada demais para permanecer no mundo.
Você tem cólicas de desejo, eu sei. Que são um misto louco de toda a raiva, a dor, as surpresas, a repetição. E você sente espinhos em uma quantidade tão imensa que as flores não compensam.
Enquanto isso, eu continuo querendo te levar para passear num dia claro e te afogar em um conto-de-fadas (mesmo que estes não passem de mentiras feitas para amenizar o desespero). Eu compro presentes, te dou chocolate, mas parece que nada do que eu faço adianta. É como se não bastasse dizer que vai passar, dessa forma tão ordinária e tão fácil. Como se nenhuma das descargas elétricas de vivacidade pudesse fazer bater de novo um coração mortalmente ferido.
Nesse caso, decidi que vou te deixar assim mesmo, raptada pela força desses desencontros e cega de melancolia, no sono profundo da perda da razão e do controle.
Só não pense você que eu desisti, porque isso é mentira. A verdade é que eu sei que em algum momento você vai olhar só para as flores e esquecer os espinhos, vai destruir seu casulo, afinal, um dia toda lagarta vira borboleta.
Nesse dia, eu vou rir de contentamento enquanto observo você abrir os olhos, e depois abrir as asas.

Um comentário:
pô, agora eu chorei.
peguei pra mim e pronto. ainda que não seja.
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