A verdade é que eu sempre fui um pouco assim, cometa. Não chegava a me incomodar, deixar um pedaço de um quase coração em cada canto por onde passasse. Eles diziam “Cuidado, menina. Se passar rápido demais não pega coração nenhum em troca”, ou alertavam “Não pega o seu de volta”, mas eu só sorria.
Pegar de volta... Que bobagem. Pegar de volta não dá.
Nem ao menos quero de volta. Dei um pedaço para cada um para não restar mais nada comigo.
A gente é o que é. Mas se o que é não está... O que sobra pra ser?
Sabe, essa coisa que bate no peito...
Eu sei que entreguei à ele, o coloquei em suas mãos. Entreguei sem medo, quase inteiro, ao menos, o que restou. E dali em diante o que tivesse de sofrer eu não mais saberia. Achei que já não funcionasse, despedaçado, espalhado. O que ele fez, não sei. Será que se regenera? Não é possível, nasceu outro no lugar. Não era para doer, mas só serviu para doer mais.
Eles chamam de amor, mas é o preço da passagem.
E então, cometa, astro de órbita excêntrica, viver por entre as estrelas custa caro demais?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Ponto brilhante envolto por nebulosidade
Antes de chegar
Começo a pensar que o momento da espera é o pior. Um pouco antes de acontecer, aquela expectativa.
Aquela mesma da véspera de Natal quando ainda somos pequenos, aquela ansiedade incontrolável, o desejo de ser bom, de dar tudo certo. Talvez tudo dê errado afinal, quem sabe... Mas esse frio na barriga, esses pulinhos que o coração dá a cada vez que alguém abre a porta...
Ah, se eu não morrer de amor, morro disso. De espera.
Aquela mesma da véspera de Natal quando ainda somos pequenos, aquela ansiedade incontrolável, o desejo de ser bom, de dar tudo certo. Talvez tudo dê errado afinal, quem sabe... Mas esse frio na barriga, esses pulinhos que o coração dá a cada vez que alguém abre a porta...
Ah, se eu não morrer de amor, morro disso. De espera.
sábado, 4 de setembro de 2010
Passagem
Sábado passado eu chorei de saudade.
Era tarde, mas as luzes estavam todas acesas. Vi milhares de pessoas e não vi ninguém.
Que vergonha, menina, que vergonha. Chorar assim de saudade? Saudade de onde? Saudade do quê?
Todo mundo estava lá, mas ninguém viu.
Foi um aperto no peito, e só.
Era tarde, mas as luzes estavam todas acesas. Vi milhares de pessoas e não vi ninguém.
Que vergonha, menina, que vergonha. Chorar assim de saudade? Saudade de onde? Saudade do quê?
Todo mundo estava lá, mas ninguém viu.
Foi um aperto no peito, e só.
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