quarta-feira, 21 de julho de 2010

De hoje.

As pessoas estavam reunidas, de preto, mirando o chão. E faziam pequenos movimentos.
Eu não esqueci de ti. Não.
Os corredores brancos gritam. "Azul", de vez em quando.
Eu sei que não vou te encontrar, mas meus olhos te procuram mesmo assim. Tamanha estupidez... Esperança?
Eu quis matar isso tudo dentro de mim, mas hoje não vou falar em morte. Morte é tarde demais, é cedo demais, é muito.
É hoje, eu sei. Não esqueci.
Eu queria te dar um abraço hoje. Queria ouvir alguma palavra tua.
Tenho mil desculpas. Algumas boas, até. Mas a verdade é que a qualquer momento do dia de hoje, de ontem, de sempre, eu podia ter pego o telefone, libertado a saudade, enterrado o orgulho (ou o que restou dele).
É difícil pôr fim nas coisas. E falo de fim pois é o que agora me aflige.
É preciso um sinal, uma certeza, uma luz?
É preto, breu.
Ali, bem no meio do caos. Eles choram e pensam no que poderiam ter feito, no que deveriam ter dito, no que deixaram de viver, e o fim é o fim e só.
Mas eu não esqueci de ti. Ontem, hoje, agora.
O tempo me encanta, meu bem, me encanta. Tão eterno e, à nós, breve. A magia da contradição.
O tempo é curto, meu bem, tão curto. E passa...
Mas eu não esqueci de ti, por enquanto. Isso não melhora nada em nada, eu sei. Mas ainda assim, queria que soubesses...