Antes tinha problemas em escrever. Eu briguei com essa paixão. Tudo o que sentia vinha em pequenas gotas, rendiam pequenas letras.
Então sentei para escrever e é dor.
Hoje vou escrever grande.
A música diz, repetidamente, é mais fácil mentir, e é. Talvez hoje eu não faça sentido, ou comece a fazer algum. Mas prometi que diria a verdade, ainda que apenas para mim mesma. Mas vou dizer devagar,
Sentei para escrever e é dor. Dor.
Hoje eu vou falar baixo.
Nunca estive nesse lugar. Pessoas ao me redor mergulharam em erros antes mesmo do que eu, erros mais fáceis. Respiram agora, na superfície, enquanto eu sinto...
Hoje eu quero chorar.
De dor, de dor.
De repente me bateu uma vontade imensa. Faz um tempo desde a última vez que aconteceu, eu tinha quase esquecido dessa sensação. Chorar... chorar, e só. Engraçado isso. Toda vez que vejo pessoas chorando passa em minha mente o mesmo pensamento, "se adiantasse alguma coisa...", porém, por mais que se tenha consciência de que lágrimas não mudam absolutamente nada do que já aconteceu, por que ainda assim há essa necessidade gigante de deixar escorrer o sofrimento pela face e pela alma?
Sentei para escrever e é dor. Só dor.
Hoje eu vou contar uma história.
Sabe quando você se perde? Se perde, e só. Era uma vez uma menina que se perdeu de verdade; Tão, tão perdida que parecia de mentira.
"Eu não sei quem sou", ah, que novidade. Os velhos discursos cansam cedo ou tarde. Mas antes que seja tarde...
Hoje eu vou sair daqui, de mim.
Vou morar em outro lugar, sem dor.
Aqui dentro só tem silêncio. Prometi não ouvir mais essas músicas e nem escrever de mim mesma, mas essa sou eu reclamando letrinhas.
Sentei para escrever e é dor. Dor e só.
Hoje eu vou...
Por quê é que a gente erra? Corro o risco de ser errada ou vazia. Aposto no vazio, quero muito apostar no vazio.
Hoje vou tentar me preencher de alguma coisa.
Alguma coisa que não seja dor.
Textos, eu decidi. Fiquei um tempo longe das folhas brancas sem linhas e veja só o que aconteceu.
Preciso de alguém que me diga alguma coisa, mas não sei se quero ouvir.
Hoje eu me sinto diferente. Como se fosse outra pessoa.
Sentei para escrever e é dor. Estou só.
Dor em seu estado bruto, talvez só um pouquinho lapidada.
E vivo alternando entre acreditar ou fingir que foi um sonho, vou chamar de desespero.
Hoje eu prometi mudar, continuar a mesma, trocar de lugar, permanecer aqui. Pensei em não sofrer pelo que passou, pensei em mudar o que passar.
Mas acontece que hoje eu sentei para escrever e é dor. Dor.
Dor de dor, de dor. Só dor, sem dor.
Dor e só. Ou algo que não seja dor...
Estou só. Estou só. Estou só.
terça-feira, 16 de março de 2010
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